Tenho 50 anos de idade (nunca achei que chegaria a ter 50, não
me lembro de um dia ter pensado como seria quando eu tivesse 50 anos) e ainda
me pego recomeçando a vida todos os dias, não porque eu queira, mas porque a
vida precisa continuar.
Nem sempre quero virar a página porque ainda acho que se
pode escrever mais uma linha, mais uma frase, as vezes viro a página por falta
de opção e isto não é um recomeço e sim uma obrigação para que eu possa
continuar.
Quantas vezes fui embora querendo muito ficar, quantas vezes!
E quantas fui embora por não caber mais!
Algumas...
Me lembro que em todas elas a dor de ir era sufocante,
angustiante, faltou o ar em todas elas... e sempre achei que não conseguiria “
sobreviver”, mas passou... sobrevivi e vivi de novo e de novo e de novo...
Chico Xavier eternizou uma frase do irmão Emmanuel que diz: “
Na vida tudo passa, isto também vai passar”, diz ainda que na vida nem o bem e
nem o mal são eternos, que tudo tem fim.
Ainda bem... sou prova viva disto.
Conheci a pouco tempo uma pessoa muito querida, mas que
infelizmente morreu (ainda nos veremos em uma outra vida), que disse um dia “que
eu sempre queimo a largada”, no dia apesar de estar muito brava com ele, eu dei
muita risada quando li e é verdade, eu sempre me antecipo ao fim, as vezes
provoco o recomeço por achar que assim será menos doloroso, ledo engano, dói do
mesmo jeito.
E nem sempre consigo virar a página, apesar de continuar
seguindo, as vezes acho que poderia ter tentado mais, ter feito mais, ter
percebido mais, mas aí me pergunto:
Seria verdadeiro?
Seria autentico ou seria apenas a postergação de um fim
eminente?
Mas fato é que sigo, errando e aprendendo, acreditando ainda
nas pessoas, apostando no melhor de cada uma delas, enxergando as vezes o que
elas e ninguém mais vê (neurose? até pode ser), mas continuo acreditando que
nascemos todos para a felicidade.
Na minha vida não cabe o “morno”, ou é quente ou é frio, ou
8 ou 80, e isto é para justificar os tombos e alegrias que ganho no meio do
caminho.
Sou intensa, sonhadora, as vezes tiro os meus pés do chão, e
pago um preço por isto, mas prefiro que seja assim, para que no dia da amargura
eu tenha do que me lembrar com alegria.
Trabalho 12h por dia e vivo as 24h na integra.
8 ou 80...
Me incomoda muito as pessoas que “ levam a vida” ou que
deixam a vida leva-las, sem controle, sem posicionamento, sem questionamentos,
penso comigo: será que são mais felizes por isto? Ou será que não se preocupam
com a felicidade?
Tenho algumas marcas de expressão no meu rosto, muitas
outras na minha alma, tenho história
para contar e não me importo em conta-las, nem todas são alegres, mas posso
garantir que todas são minhas e contribuíram para o que hoje eu sou.
Nem mais e nem menos, apenas eu, Sandra tentando viver a
vida da forma como acredito.
Com intensidade, com toda verdade que se pode ter, e
acreditando que nem sempre é preciso virar a página, podemos escrever com
letras pequenas minúsculas para caber mais, mas quando a página não te couber
mais, quando aquilo tudo não te faz mais feliz e quando se corre sozinho, é
melhor virar a página e iniciar um novo momento, sem esquecer as lições anteriores,
mas sem permitir que estas lições o imobilizem ou o façam desacreditar nas
pessoas, na vida e em seus sonhos.
Sim, eu ainda sonho...
Sim, eu ainda acredito...
Virar a página não é fácil, mas as vezes se faz necessário, até
para se preservar o que se viveu, isto no âmbito profissional e pessoal.
Perceber que em alguns momentos, que podem ser para sempre,
tudo ficou pequeno para o seu tamanho, perdeu a intensidade e o calor e que seria
melhor abrir mão do que abrirem mão de você, é fundamental e mostra na minha
opinião controle, mas não desapego.
O desapego virar com o tempo, e acreditem eu odeio o que vou
dizer, mas o tempo de verdade ajusta, acerta, acalma e clareia o
olhar.
Quando se vira a página, se tem a frente a possibilidade de
escrever um novo capítulo da sua história, e aquele virado nunca mais será lido
ou vivido, não por você.
Neste momento me vem à mente vários trechos de músicas que
caberiam aqui, mas todas elas me lembram alguma coisa que na época foram boas e
hoje não mais...
Mas não poderia de deixar de citar uma do Lulu Santos que
diz:
“Se
amanhã não for nada disso, caberá só a mim esquecer, e eu vou sobreviver, o que eu
ganho, o que eu perco, ninguém precisa saber...”
Abraços,
Sandra
Bhering

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