terça-feira, 26 de setembro de 2017

Virar a página, recomeçar...


Tenho 50 anos de idade (nunca achei que chegaria a ter 50, não me lembro de um dia ter pensado como seria quando eu tivesse 50 anos) e ainda me pego recomeçando a vida todos os dias, não porque eu queira, mas porque a vida precisa continuar.

Nem sempre quero virar a página porque ainda acho que se pode escrever mais uma linha, mais uma frase, as vezes viro a página por falta de opção e isto não é um recomeço e sim uma obrigação para que eu possa continuar.

Quantas vezes fui embora querendo muito ficar, quantas vezes!

E quantas fui embora por não caber mais!

Algumas...

Me lembro que em todas elas a dor de ir era sufocante, angustiante, faltou o ar em todas elas... e sempre achei que não conseguiria “ sobreviver”, mas passou... sobrevivi e vivi de novo e de novo e de novo...

Chico Xavier eternizou uma frase do irmão Emmanuel que diz: “ Na vida tudo passa, isto também vai passar”, diz ainda que na vida nem o bem e nem o mal são eternos, que tudo tem fim.

Ainda bem... sou prova viva disto.

Conheci a pouco tempo uma pessoa muito querida, mas que infelizmente morreu (ainda nos veremos em uma outra vida), que disse um dia “que eu sempre queimo a largada”, no dia apesar de estar muito brava com ele, eu dei muita risada quando li e é verdade, eu sempre me antecipo ao fim, as vezes provoco o recomeço por achar que assim será menos doloroso, ledo engano, dói do mesmo jeito.

E nem sempre consigo virar a página, apesar de continuar seguindo, as vezes acho que poderia ter tentado mais, ter feito mais, ter percebido mais, mas aí me pergunto:

Seria verdadeiro?
Seria autentico ou seria apenas a postergação de um fim eminente?

Mas fato é que sigo, errando e aprendendo, acreditando ainda nas pessoas, apostando no melhor de cada uma delas, enxergando as vezes o que elas e ninguém mais vê (neurose? até pode ser), mas continuo acreditando que nascemos todos para a felicidade.

Na minha vida não cabe o “morno”, ou é quente ou é frio, ou 8 ou 80, e isto é para justificar os tombos e alegrias que ganho no meio do caminho.

Sou intensa, sonhadora, as vezes tiro os meus pés do chão, e pago um preço por isto, mas prefiro que seja assim, para que no dia da amargura eu tenha do que me lembrar com alegria.

Trabalho 12h por dia e vivo as 24h na integra.

8 ou 80...

Me incomoda muito as pessoas que “ levam a vida” ou que deixam a vida leva-las, sem controle, sem posicionamento, sem questionamentos, penso comigo: será que são mais felizes por isto? Ou será que não se preocupam com a felicidade?

Tenho algumas marcas de expressão no meu rosto, muitas outras na minha alma, tenho  história para contar e não me importo em conta-las, nem todas são alegres, mas posso garantir que todas são minhas e contribuíram para o que hoje eu sou.

Nem mais e nem menos, apenas eu, Sandra tentando viver a vida da forma como acredito.

Com intensidade, com toda verdade que se pode ter, e acreditando que nem sempre é preciso virar a página, podemos escrever com letras pequenas minúsculas para caber mais, mas quando a página não te couber mais, quando aquilo tudo não te faz mais feliz e quando se corre sozinho, é melhor virar a página e iniciar um novo momento, sem esquecer as lições anteriores, mas sem permitir que estas lições o imobilizem ou o façam desacreditar nas pessoas, na vida e em seus sonhos.

Sim, eu ainda sonho...
Sim, eu ainda acredito...

Virar a página não é fácil, mas as vezes se faz necessário, até para se preservar o que se viveu, isto no âmbito profissional e pessoal.

Perceber que em alguns momentos, que podem ser para sempre, tudo ficou pequeno para o seu tamanho, perdeu a intensidade e o calor e que seria melhor abrir mão do que abrirem mão de você, é fundamental e mostra na minha opinião controle, mas não desapego.

O desapego virar com o tempo, e acreditem eu odeio o que vou dizer, mas o tempo de verdade ajusta, acerta, acalma e clareia o olhar.

Quando se vira a página, se tem a frente a possibilidade de escrever um novo capítulo da sua história, e aquele virado nunca mais será lido ou vivido, não por você.

Neste momento me vem à mente vários trechos de músicas que caberiam aqui, mas todas elas me lembram alguma coisa que na época foram boas e hoje não mais...

Mas não poderia de deixar de citar uma do Lulu Santos que diz:

“Se amanhã não for nada disso, caberá só a mim esquecer, e eu vou sobreviver, o que eu ganho, o que eu perco, ninguém precisa saber...”

Abraços,
Sandra Bhering


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